A Dama e o Vagabundo.

Há muitos anos, num dia de neve,
Querido e Querida festejavam o seu primeiro Natal juntos,
pois tinham acabado de casar.
Que será isto, Jaime?
Abre e verás!
Linda abriu a caixa e um maravilhoso cocker saiu lá de dentro.
Que bonito que ele é! - exclamou Querida.
Que bonita que ela é! - rectificou Querido.
É uma cadelinha e chama-se Dama.
Como ainda não tinham filhos,
Dama transformou-se na menina lá de casa.
Querida e Querido eram muito felizes com Dama.
Eles cuidavam dela e ela deles,
afugentando os perigos que rondavam por ali e cuidando da casa.
Quando Dama fez seis meses, e como prémio pelo seu bom comportamento,
ofereceram-lhe uma coleira com uma placa de ouro com o seu nome gravado.
Dama sentiu-se orgulhosa.
Dama tinha bons amigos na vizinhança: Joca, um terrier escocês, e Truta,
um velho cão de caça, que tinha sido polícia.
Ambos gostavam muito de Dama e conheciam-na desde pequena. Naquela manhã,
Dama estava triste.
Querido e Querida já não se preocupavam tanto com ela e falavam de um "feliz acontecimento".
É o pior que te poderia acontecer, minha linda! - disse-lhe um cão que apareceu ali,
de repente. Era Vagabundo, um cão vadio. - A tua dona vai ter um bebé.
Mas Dama não deu ouvidos ao rafeiro.
E a vida continuou. Pouco tempo depois,
nasceu o bebé. Joca e Truta tinham convencido Dama a não se preocupar.
Quando Dama viu o bebé, pensou: "Vamos divertir-nos muito quando cresceres!".
Mas, um dia, Querida e Querido resolveram ir de férias. Para tomar conta do bebé,
da casa e de Dama, mandaram vir a tia Sara, uma mulher alta e forte,
que trouxe consigo dois terríveis gatos siameses.
Os dois gatos eram muito maus. No mesmo instante em que a tia Sara saiu da sala,
começaram a arranhar os móveis e as cortinas, e tentaram comer o peixinho e o canário.
Para alertar a tia, Dama começou a ladrar. Quando a tia Sara chegou,
os gatos deitaram as culpas para cima de Dama. Furiosa,
a tia Sara castigou-a e pôs-lhe um açaime para ela não ladrar.
Assustada, Dama libertou-se da trela que a prendia e fugiu.
Na sua fuga, Dama correu perigo, mas, milagrosamente,
Vagabundo, o cão que ela antes menosprezara, salvou-a.
Depois, levou-a ao Jardim Zoológico e pediu ao seu amigo castor para cortar as correias do açaime.
Vagabundo foi muito amável com ela e convidou-a a jantar no restaurante de Tony. Foi ali que se apaixonaram.
Na manhã seguinte, Vagabundo levou Dama até um galinheiro onde poderiam comer ovos frescos.
Vem, boneca - disse-lhe Vagabundo. - Vamos praticar o meu desporto favorito.
Infelizmente, o agricultor descobriu-os.
Vagabundo conseguiu fugir sem se aperceber de que Dama tinha sido apanhada pelos homens da corroça do canil.
Estes fecharam-na numa jaula onde havia cães de todas as raças.
Na carroça, Dama conheceu outros cães sem lar, que lhe cantaram uma canção para que ela se sentisse menos triste.
Não te preocupes - disseram-lhe -, uma cadela fina como tu não fica muito tempo no canil.
E assim foi. A tia Sara foi lá buscá-la mas, quando regressaram a casa, em vez de a deixar entrar,
prendeu-a à casota, no jardim. Como Dama pensava que Vagabundo a tinha abandonado, ao vê-lo novamente disse-lhe para se ir embora.
Dama ficou muito triste. Quando anoiteceu, viu uma grande ratazana deslizar até à mansão.
A ratazana saltou por uma janela para o quarto do bebé. Dama tentou detê-la,
mas a corrente impediu-a. Nesse momento, apareceu Vagabundo.
Socorro! - gritou Dama. - Uma ratazana entrou no quarto do bebé!
Vagabundo saltou atrás da ratazana e conseguiu desfazer-se dela depois de uma luta feroz.
Dama conseguiu soltar-se e entrou no quarto. Ao vê-los,
a tia Sara pensou que Vagabundo tentara atacar o bebé e chamou os empregados do canil municipal, que o levaram.
Como não viram o corpo da ratazana morta, ninguém se apercebeu do que, na realidade, se passara.
Dama estava desesperada. Então,
ouviu as vozes de Querida e Querido que já tinham chegado a casa.
Por sinais, deu-lhes a entender a verdade.
Joca e Truta também se aperceberam do sucedido e não estavam dispostos a deixar que levassem Vagabundo daquela maneira.
Assustando os cavalos, obrigaram a carroça a vira-se. Ao ver a carroça tombada,
Dama ficou mais tranquila porque Vagabundo estava são e salvo,
mas assustou-se quando viu Truta inconsciente. Joca latia tristemente ao seu lado.
Agradecidos por tudo o que Vagabundo tinha feito,
Querida e Querido convidaram-no para ficar a viver com eles. Ele aceitou,
para estar perto da Dama. Pouco tempo depois, havia em casa uma nova família:
quatro belos cachorrinhos, três do sexo feminino e um do masculino.
Joca e Truta foram convidados para passar o Natal com eles. Ao verem os cachorrinhos,
ambos comentaram que as cachorrinhas eram tão bonitas como a mãe e que o cachorrinho era igualzinho ao pai.
Todos concordaram que aquele era o Natal mais feliz das suas vidas.

Fim!